Sindamar cobra agilidade da Anvisa
O Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar) deverá cobrar hoje, na reunião do Comitê de Logística do Porto de Santos, mais rapidez na liberação de navios por parte da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo a entidade, há casos em que a inspeção das embarcações e a autorização para início das operações chegam a levar mais de seis horas, o que causa "prejuízos imensuráveis".
A Anvisa é o órgão responsável pela emissão da livre prática, documento que permite a atracação de navios nos portos brasileiros, após uma inspeção para detecção de doentes a bordo ou cargas e resíduos que podem afetar a saúde pública. Mas, segundo o vice-presidente do Sindamar, José Roque, esse serviço não acontece entre 1 e 7 horas, fazendo com que as embarcações tenham que ficar ociosas, na barra de Santos ou mesmo atracadas.
De acordo com Roque, há falta de fiscais para a conferência das embarcações. E, por isso, Santos não pode ser considerado um porto que atua 24 horas ininterruptamente.
O dirigente afirmou que um caso ocorrido ontem ilustra bem a inoperância dos cargueiros por falta de inspeção da agência sanitária. Segundo ele, o navio Glen Mooar estava na barra por volta de meia-noite apenas aguardando a inspeção. Nesse mesmo momento, o cais do Armazém 38 estava vago e os estivadores já tinham sido requisitados para o trabalho a bordo.
Entretanto,a chegada dos fiscais a bordo só aconteceu às 7 horas, cerca de 30 minutos após a atracação no cais do Armazém 39. O Glen Mooar só começou o carregamento de 42 mil toneladas de soja às 9h45, segundo Roque.
"O navio ficou parado desde meia-noite porque não tinha autorização da Anvisa. Para ter uma ideia, nesse tempo de espera poderiam ter sido embarcadas 10 mil toneladas", disse Roque.
O impacto da demora na fiscalização acaba refletindo nos custos da operação. A diária de um navio graneleiro, por exemplo, custa entre US$ 80 mil e US$ 100 mil.
"Esse tipo de prejuízo acaba sendo transferido para toda a cadeia, onerando a carga e o gasto do navio, sem falar que pode afetar a programação da embarcação em outros portos", avaliou o vice-presidente do Sindamar.
Roque disse que o problema deverá ser apresentado no Comitê de Logística do Porto de Santos. O órgão reúne as principais autoridades e técnicos do complexo.
A reunião do Comitê acontecerá às 9 horas, no prédio da presidência da Codesp, que fica na Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, sem número, no bairro do Macuco.